Discurso integral do secretário regional da Saúde, Miguel Correia, na sessão de abertura das "IV Jornadas de Psiquiatria dos Açores", que decorrem em Angra do Heroísmo:
"Felicito, antes de mais, o Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo pela organização destas jornadas pelo proveito que certamente retiraremos desta partilha de conhecimentos e de experiências.
Entre nós encontram-se especialistas de renome nacional e internacional, no campo da psiquiatria, da sexologia e da reumatologia.
Pela quarta vez são realizadas as Jornadas de Psiquiatria, este ano designadas “O Cérebro e a doença…uma contribuição”.
Mas mais do que uma contribuição ao nível científico e clínico, será sem dúvida um importante contributo para que se possam encontrar ao nível político as soluções mais adequadas para a sociedade.
Está em curso a apreciação dos comentários que o Plano Regional de Saúde mereceu durante a consulta pública.
Estão já aprovados quatro programas específicos: das doenças cérebro-cardiovasculares, das doenças oncológicas, das doenças respiratórias e da diabetes e luta contra a obesidade.
O próximo será o Programa Regional de Saúde Mental.
É intenção da Secretaria da Saúde que esteja concluído até ao fim deste ano.
Este programa será sem dúvida orientador da acção dos serviços para uma melhor prevenção e terapêutica das principais doenças mentais que afectam os Açorianos.
Admite-se que, tal como em todo o mundo, a depressão afecta entre 8 a 9% da população, o que representará cerca de 20.000 açorianos.
De resto, a depressão é transversal a todos os grupos etários e constituirá em 2020, de acordo com a OMS, a segunda causa de incapacidade.
Em relação aos Açores:
- No caso dos Jovens, para além da depressão, tornam-se frequentes situações de psicose associadas a consumos de substâncias e situações de para-suicídio;
- No caso dos adultos, o alcoolismo continua a destacar-se, assim como a depressão e outras psicoses.
- E no caso dos Idosos, destacam-se as demências em particular o Alzheimer, assim como novamente a depressão.
Tendo em conta que as doenças mentais representam um quinto das doenças em todo o mundo antevejo como prioridade o reforço de profissionais de saúde quer na rede de cuidados primários quer nos hospitais da Região, de forma a detectar cada vez mais cedo o aparecimento das doenças, dando corpo ao Programa Regional de Saúde Mental.
Por outro lado, outra preocupação política prende-se com o estigma que ainda existe na nossa sociedade em relação aos cidadãos portadores destas doenças.
Temos de continuar a combater esse estigma e desenvolver políticas que promovam cada vez mais a reinserção social dos doentes mentais após a alta.
Não nos podemos esquecer de que este é um problema que atravessa a sociedade.
Todos nós conhecemos pessoas que já passaram por alguns destes distúrbios e que, por esse facto, não são menos cidadãos do que os outros.
De resto os estudos confirmam: uma em cada quatro pessoas sofrerá de problemas de saúde mental, em algum momento da sua vida.
Estas jornadas são assim fundamentais para a consolidação do conhecimento nesta área e contribuirão bastante para que se possam encontrar as políticas mais adequadas.
Duas palavras finais:
Uma para me associar à homenagem prestada ao médico psiquiatra Carlos Pais Ferreira pelo exercício exemplar da sua profissão.
Outra para saudar todos os participantes destas jornadas e desejar um profícuo trabalho. Que este encontro valorize a vossa experiência.”